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Tão completa é a unanimidade com que o Artaxerxes de
Neemias é agora reconhecido como o Longimano, que não é mais necessário
oferecer provas disso. Josefo realmente atribui esses eventos a Xerxes,
mas sua história dos reinados de Xerxes e de Artaxerxes está tão repleta
de erros que se torna inútil. Na verdade, ele transpõe os eventos desses
respectivos reinados (veja Ant. 11, cap. 5 e 7). O mestre de
Neemias reinou por não menos que trinta e dois anos. (Neemias 13:6) e
seu reinado foi subseqüente ao de Dario Histaspes (compare Esdras 6:1 e
7:1), e antes do de Dario Nothus (Neemias 12:22). Ele precisa, portanto,
ser ou Longimano ou Mnemon, porque nenhum outro rei após Dario HIstaspes
reinou por trinta e dois anos, e é certo que a missão de Neemias não foi
depois do vigésimo ano de Artaxerxes Mnemon, isto é, 385 AC. Isso aparece, primeiro, a partir do curso geral da
história; segundo, porque essa data é posterior à de Malaquias, cuja
profecia precisa ter sido consideravelmente depois do tempo de Neemias;
e terceiro, porque Eliasibe, que era o sumo-sacerdote quando Neemias
veio a Jerusalém, era neto de Josué, que era o sumo sacerdote no
primeiro ano de Ciro (Neemias 3:1; 12:10; Esdras 2:2; 3:2); e a partir
do primeiro ano de Ciro (536 AC) até o vigésimo de Artaxerxes Longimano
(445 AC), existiram noventa e cinco anos, deixando espaço para
exatamente três gerações. [1] Além disso, o capítulo 11 de Daniel, se lido
corretamente, permite prova conclusiva que a era profética datou desde o
tempo de Longimano. O segundo verso é geralmente interpretado como se
fosse apenas um fragmento desconectado da história, deixando um
intervalo de mais de 130 anos entre ele e o terceiro verso, enquanto que
o capítulo é uma predição consecutiva de eventos dentro do período
das setenta semanas. "Ainda três reis estarão na Pérsia" (isto é,
após a emissão do decreto para reconstruir Jerusalém). Foram eles Dario
Nothus (mencionado em Neemias 12:22), Artaxerxes Mnemon, e Ochus; os
breves reinados de Xerxes II, Sogdiano, e Arogus sendo negligenciados
por serem, o que de fato foram, totalmente sem importância e realmente
dois deles são omitidos no cânon de Ptolomeu. O quarto (e último) rei
foi Dario Codomano, cuja fabulosa riqueza - acumulada de dois séculos -
atraiu a cupidez dos gregos. Desconhece-se que soma de dinheiro
Alexandre encontrou em Susã, mas os lingotes de prata e a púrpura que
ele tomou após a batalha de Arbela valiam mais de 20 milhões de libras
esterlinas. [2] Portanto, o verso 2 alcança até o encerramento do
Império Persa; o verso 3 prediz a ascensão de Alexandre, o Grande; e o
verso 4 refere-se à divisão do seu reino entre seus quatro generais. De acordo com Clinton (F. H., vol 2, pg 380),
a morte de Xerxes foi em julho de 465 e a ascensão de Artaxerxes foi em
fevereiro de 464. Artaxerxes, é claro, ignorou o reinado do usurpador,
que ficou no meio, e considerou seu próprio reinado a partir do dia da
morte de seu pai. Novamente, é claro, Neemias, sendo um oficial da
corte, seguiu a mesma forma de cálculo. Tivesse ele contado o reinado de
seu senhor a partir de fevereiro de 464, quisleu e nisã não poderiam ter
caído no mesmo ano do reinado (Neemias 1:1; 2:1). Não mais poderiam eles
ter calculado de acordo com a prática judaica, a partir de nisã. Aqui, o Dr. Pusey comenta o seguinte: [3] "A ascensão de Artaxerxes ao trono após os sete
meses do assassino Artabano, cairiam em meados de 464. É claro pela
seqüência dos meses em Neemias 1:2 e Esdras 7:7-9, que quisleu caiu
anteriormente no ano de seu reinado do que nisã, e nisã do que ab.
Então o reinado de Artaxerxes precisa ter iniciado entre os meses de
ab e quisleu de 464." Isso é um total engano. Como já mencionado, quisleu e
nisã caíram no mesmo ano do reinado; e assim também nisã e o primeiro
dia de ab (Esdras 7:7-9). Mas o primeiro de ab de 459 (o sétimo ano de
Artaxerxes) caiu em 16 de julho, ou perto disso e, portanto, as
passagens citadas estão perfeitamente coerentes com a cronologia
recebida e servem meramente para permitir que fixemos as datas com ainda
maior precisão, e decidir que a morte de Xerxes e a data inicial do
reinado de Artaxerxes possam ser atribuídas à parte final de julho de
465 AC. Aqueles que não são versados naquilo que os autores
de assuntos proféticos escreveram sobre este assunto ficarão surpresos
ao saber que essa data é atacada como sendo nove anos mais tarde. Todos
os cronologistas concordam que Xerxes começou a reinar em 485 AC, e que
a morte de Artaxerxes foi em 423 AC; e tanto quanto eu saiba, nenhum
autor de reputação, não enviesado pelo estudo das profecias, atribui
como a data inicial do reinado do último rei qualquer outra data que não
465 AC [4] (ou 464; veja ante). Essa é a data de acordo
com o Cânon de Ptolomeu, que tem sido seguida por todos os
historiadores; e é confirmada pelo testemunho independente de Júlio
Africano, que em sua Chronagraphy, [5] descreve o vigésimo
ano de Artaxerxes como o centésimo quinto ano do Império Persa
(considerado a partir de Ciro, em 559 AC) e o quarto ano da octagésima
terceira Olimpíada. Isso fixa 464 como o primeiro ano desse rei, como se
fosse na verdade o ano de sua verdadeira ascensão ao trono. Foi o arcebispo Ussher quem primeiro levantou uma
dúvida sobre a questão. Lecionando sobre as "Setentas de Daniel" [6]
no Trinity College, em Dublin, no ano 1613, as dificuldades conectadas
com o assunto sugeriram uma investigação que o levou no fim a colocar de
volta o reinado de Longimano para 474 AC, que é a data fornecida em seu
Annales Vet. Test. A mesma data foi mais tarde adotada por
Vitringa, e um século mais tarde por Kruger. Mas Hengstenberg é
considerado como o campeão dessa visão, e seu tratado sobre isso em
Chronology [7] omite nada que possa ser citado em seu favor.
As objeções levantadas para a cronologia recebida
dependem principalmente da afirmação de Tucídides, que Artaxerxes estava
no trono quando Temístocles chegou à corte persa; pois é dito que a fuga
de Temístocles não poderia ter sido já em 464. [8] Mas, como o
Dr. Pusey comenta, "eles não impressionaram nossos autores ingleses que
trataram da história grega". [9] Em comum com os autores alemães,
o Dr. Pusey ignora Ussher totalmente na controvérsia, embora o Dr.
Tregelles [10] corretamente afirme para ele o principal lugar de
erudição entre aqueles que advogaram a data mais anterior. A dificuldade
aparente de fazer a profecia e a cronologia concordarem levou o Dr.
Pusey, seguindo Prideaux, em oposição às Escrituras, a fixar o sétimo
ano de Artaxerxes como a época inicial das setenta semanas, enquanto ela
induziu o Dr. Tregelles [11] escondendo-se atrás do nome de
Ussher, a adotar a data de 455 AC para o vigésimo ano do reinado desse
monarca. O bispo Lloyd, ao afixar as datas de Ussher à Bíblia inglesa
reverteu para a cronologia recebida quando lidou com o livro de Neemias. É desnecessário entrar aqui em uma discussão acerca
dessa questão. Nada menos que uma reprodução de todo o argumento em
favor da nova cronologia satisfaria seus defensores, e para meu
propósito presente é uma resposta suficiente para esse argumento, que
embora tudo tenha sido apresentado que a geniosidade e a erudição possam
sugerir em suporte, ela tem sido rejeitada por todos os autores
seculares. A profecia não cumprida é somente para os fiéis, mas a
profecia já cumprida tem uma voz para todos. Portanto, é uma
infelicidade que a prova do cumprimento dessa profecia das setenta
semanas não dependa de uma argumentação elaborada, como a de
Hengstenberg, para contestar as cronologias recebidas. Vou observar somente um ponto. É dito em favor de
limitar o reinado de Xerxes para onze anos, que nenhum evento é
mencionado em conexão com seu reinado após o décimo primeiro ano. A
resposta é óbvia: primeiro, que é para os historiadores gregos, que
escreveram após o tempo dele, que estamos principalmente em débito para
nosso conhecimento da história persa; em segundo lugar, as batalhas de
Termópilas e Salamina podem bem ter induzido um rei de temperamento e
caráter de Xerxes a dar a si mesmo a uma vida de tranqüilidade indolente
e prazeres sensuais. Mas além disso, o décimo segundo ano de Xerxes é
expressamente mencionado no livro de Ester (3:7), e a narrativa prova
que o reinado dele continuou até o décimo segundo mês (judaico) do seu
décimo terceiro ano. [12] Hengstenberg responde a isso afirmando
que era costumeiro entre os autores hebreus incluírem em uma era real os
anos de uma co-regência, quando ela existia; e ele apela para o caso de
Nabucodonosor como uma prova desse costume. [13] Se o reinado de
Nabucodonosor fosse realmente considerado assim, esse exemplo solitário
não estabeleceria o costume, pois ele não forneceria nada mais do que os
judeus em Jerusalém, sem saber nada da política e dos costumes de
Babilônia, consideraram o reinado de Nabucodonosor com um sistema deles
próprios. Mas acredito que essa teoria sobre o reinado de Nabucodonosor
é uma total besteira. Se na história sagrada ele é chamado de rei de
Babilônia, em conexão com sua primeira invasão da Judéia, é por que os
autores eram seus contemporâneos. "Lord Beaconsfield era Secretário da
Receita nas administrações de Lord Derby" é uma afirmação que será
corretamente condenada como um anacronismo se feita pelo historiador do
futuro, mas é precisamente a linguagem que teria sido usada por um autor
contemporâneo acostumado com o estadista vivo. Já mostrei no Apêndice 1
que os judeus consideravam o reinado de Nabucodonosor de acordo com seu
próprio costume, datando a partir do nisã precedente à sua ascensão ao
trono. Portanto, a não ser que algum caso inteiramente novo possa ser
apresentado em suporte à teoria da co-regência de Xerxes, permanece que
o livro de Ester é absolutamente conclusivo contra a data de Ussher, e
em favor da cronologia recebida. Ao tratar da data do nascimento do nosso Senhor, os
argumentos em favor de uma data anterior do que a data que é aqui
adotada, são também bem conhecidos para serem deixados sem observação. O
Dr. Farrar expressa a questão assim em seu Life of Christ (Excursus
1): "Nossa data mais certa é obtida a partir do fato
que Cristo nasceu antes da morte de Herodes, o Grande. A data desse
evento é conhecida com absoluta certeza, pois (2) Josefo nos diz que
ele morreu trinta e sete anos após ter sido proclamado rei pelos
romanos. Agora é conhecido que ele foi proclamado rei em 714 A. U. C;
e, portanto, como Josefo sempre considera seus anos de nisã a nisã, e
conta as frações iniciais e finais de nisã como anos completos,
Herodes deve ter morrido entre nisã de 750 A. U. C. e nisã de 751 A.
U. C., isto é, entre 4 AC e 3 AC da nossa era. (2) Josefo diz que na
noite em que Herodes ordenou que Judas, Matias, e seus apoiadores
fossem queimados, houve um eclipse da lua. Agora, esse eclipse ocorreu
na noite de 12 de março de 4 AC, e Herodes estava morto pelo menos
sete dias antes da Páscoa, que, se aceitarmos a forma de cálculo
judaica, caiu naquele ano em 12 de abril. Mas de acordo com a clara
indicação dos evangelhos, Jesus precisa ter nascido pelo menos
quarenta dias antes da morte de Herodes. Portanto, é claro que sob
nenhuma circunstância pode a natividade ter ocorrido depois de
fevereiro do ano 4." [14] Esta passagem é uma típica ilustração do valor
relativo atribuído às afirmações dos historiadores sacros e profanos.
Nas histórias de Josefo uma menção acidental de um eclipse ou da duração
do reinado de um monarca é suficiente para dar "certeza absoluta",
diante da qual as afirmações mais claras e mais definidas dos Escritos
Sagrados precisam dar lugar, embora relacionem-se às questões de
interesse tão transcendente para os autores que até se os evangelistas
fossem reduzidos à categoria de meros historiadores, nenhum engano seria
possível. O seguinte é uma afirmação mais moderada da questão,
pelo arcebispo de York, em um artigo (Jesus Cristo) de contribuição para
o Bible Dictionary, de Smith. "Herodes, o Grande, morreu, de acordo com Josefo,
no ano trinta e sete após ser escolhido como rei. Sua elevação
coincide com o consulado de Cn Domicío Calvino e C. Asinius Pólio, e
isso determina a data A. U. C. 714. Existe razão para pensar que
nesses cálculos, Josefo considera os anos a partir do mês de nisã até
o mesmo mês, e também que a morte de Herodes ocorreu no início do ano
trinta e sete, ou imediatamente antes da Páscoa, se então trinta e
seis anos completos forem adicionados, eles colocam o ano da morte de
Herodes, em A. U. C. 750." De acordo com isto, a visão comumente recebida, a
morte de Herodes ocorreu dentro dos primeiros seis dias de um ano
judaico, e esses dias são considerados como um ano completo em sua era
real. Agora é admitido que ao calcular o tempo, os judeus geralmente
incluíam ambas as unidades terminais de um dado período. Um notável e
bem conhecido exemplo disso é oferecido pelas palavras do próprio
Senhor, quando declarou que estaria morto por três dias e três noites.
Que significado essas palavras tiveram para os judeus? Vinte e quatro
horas após sua morte, eles vieram a Pilatos e disseram: "Senhor,
lembramo-nos de que aquele enganador, vivendo ainda, disse: Depois de
três dias ressuscitarei. Manda, pois, que o sepulcro seja guardado com
segurança até ao terceiro dia." [15] Tivesse aquele domingo
passado deixando intacto o selo sobre o sepulcro, os fariseus teriam
firmemente proclamado seu triunfo, enquanto que, pelos nossos modos de
considerar, a ressurreição deveria ter sido adiada até a noite da
segunda-feira, ou na terça de manhã. [16] Novamente, pode ser assumido que a ascensão de
Herodes datou na verdade de 40 AC e, portanto, que 4 AC foi o ano trinta
e sete e o último de seu reinado. Além disso, é provável que ele tenha
morrido imediatamente antes de uma Páscoa. A questão permanece se
sua morte ocorreu no início ou mais para o fim do ano judaico. Josefo relata que quando o evento ocorreu, Arquelau
permaneceu em reclusão durante sete dias, e depois se apresentou
publicamente ao povo. Sua primeira recepção não foi desfavorável, embora
ele tivesse de ceder a muitas reivindicações populares que foram levadas
a ele; e após a cerimônia, ele "saiu e ofereceu sacrifícios a Deus, e
depois festejou com seus amigos." Em breve, entretanto, o
descontentamento e a insatisfação começaram a aparecer e a se espalhar,
e novas exigências foram levadas ao rei. Para essas ele novamente cedeu,
embora com menor disposição, instruindo seu general a repreender a
população e persuadi-la a adiar suas petições até o retorno dele de
Roma. Esses apelos somente aumentaram a crescente insatisfação, e
ocorreu uma agitação popular. O rei ainda continou a negociar com os
sediciosos, mas, "com a aproximação da festa do pães ázimos", quando a
capital ficou lotada com a chegada dos judeus do interior do país, o
estado das coisas tornou-se tão alarmante que Arquelau determinou que os
agitadores fossem reprimidos pela força das armas. Isso foi "na
aproximação da festa" e os judeus consideravam que a Páscoa "estava
próxima" no oitavo dia de nisã, quando eles iam para Jerusalém para o
festival. [17] A Páscoa iniciava em 14 de nisã. Esse protesto final
ocorreu durante a semana precedente. Os protestos anteriores ocorreram
antes disso novamente, antes da data da incursão dos judeus para o
festival, o dia 8 de nisã. Isso novamente foi precedido por algum
intervalo, medido desde o dia seguinte ao período de pranto na corte por
Herodes, que tinha durado sete dias. A história, portanto, estabelece
conclusivamente que a morte de Herodes foi mais do que catorze dias
antes da Páscoa e, portanto, no encerramento e não no início de um
ano judaico. Mas qual ano? A morte dele precisa ter sido após o
eclipse de 13 de março de 4 AC. [18] Mas o eclipse foi somente um
mês antes da Páscoa daquele ano, e sua morte foi quatorze dias pelo
menos antes da Páscoa. Poderiam então os eventos registrados por Josefo
como ocorridos no intervalo entre o eclipse e a morte do rei terem
ocorrido em um período de duas semanas? Que o leitor volte-se para a
obra Antiguidades e julgue por si mesmo se é possível. A
inferência natural da história é que a morte não foi semanas, mas meses
após o eclipse e, portanto, no encerramento do ano. A exatidão dessa conclusão pode ser estabelecida
aplicando-se o mais rígido de todos os testes, o de referenciar as
afirmações cronológicas do historiador. Em sua obra Guerras (2:7, 3), Josefo coloca o
banimento de Arquelau no nono ano de seu governo; em sua obra
final (Ant., 17, 13, 3), ele afirma que foi em seu décimo ano. E
essas datas são dadas com uma definição e de uma maneira que tornam
impossíveis a idéia de um engano. Elas estão conectadas com a narrativa
de um sonho em que Arquelau viu diversas espigas de milho (nove em
Guerras, dez em Antiguidades) devoradas por bois -
pressagiando que os anos de seu governo estavam prestes a serem trazidos
abruptamente ao fim. Agora, seja um governante cristão, judeu, ou turco,
seu nono ano é o ano que inicia com o oitavo aniversário de seu governo,
e seu décimo ano é o que inicia no nono aniversário; e é um mero
casuísmo pretender que há ou mistério ou dificuldade na questão. É
evidente que a diferença entre as duas afirmações do historiador é
intencional, e que em suas duas histórias ele calculou o governo do
tetraca a partir de dois pontos iniciais diferentes. Mas se Herodes
morreu na primeira semana no ano judaico, como esses autores afirmam,
isso seria impossível., pois a verdadeira ascensão de Arquelau teria
sincronizado com sua ascensão de acordo com a forma judaica de contagem.
Enquanto que se seu governo datasse do encerramento de um ano judaico, 6
AC [19] seria na verdade seu nono ano, mas seu décimo ano de
acordo com a regra do Mishna de calcular os reinados a partir do
mês de nisã. Em diversos tratados sobre esse assunto, encontra-se
um argumento basedo em João 2:20, "Em quarenta e seis anos foi edificado
este templo". De acordo com Josefo (é dito), "A reconstrução de Herodes
do templo começou no décimo oitavo ano de seu reinado." [20] e
quarenta e seis anos a partir dessa data fixaria 26 AD como o ano em que
essas palavras foram proferidas e, portanto como o primeiro ano do
ministério de nosso Senhor. Que autores de reputação tenham escrito
assim pode ser descrito como um fenômeno literário. Não somente Josefo
não diz aquilo que é assim atribuído a ele, mas sua narrativa desaprova
isso. A base para a afirmação é que em seu décimo oitavo ou décimo nono
ano [21] Herodes fez um pronunciamento propondo a reconstrução do
templo. Mas o historiador acrescenta, que vendo suas promessas e
intenções totalmente desacreditadas pelo povo, "o rei os encorajou, e
lhes disse que não iria derribar o templo até que todas as coisas se
tornassem prontas para reconstrui-lo completamente outra vez. E, como
ele tinha prometido anteriormente, ele não quebrou sua palavra, mas
preparou mil carroças que deveriam trazer as pedras para a construção, e
escolheu dez mil dos mais habilidosos trabalhadores, e comprou mil
vestes sacerdotais para os sacerdotes, e fez que alguns deles
aprendessem a arte dos cortadores de pedra, e outros a dos carpinteiros,
e então começou a construir; mas isso não foi até que tudo estivesse bem
preparado para a obra." [22] Que duração de tempo esses preparativos
levaram é evidentemente impossível de saber, mas se, como Lewin supõe, o
trabalho foi iniciado na Páscoa de 18 AC, então quarenta e seis anos nos
traria exatamente ao ano 29 - a primeira Páscoa no ministério do Senhor. Os intérpretes históricos das profecias compreendem
um princípio cuja importância é abundamentemente provada pelos notáveis
paralelismos entre as visões do Apocalipse e os eventos na história da
cristandade. Mas não contente com isso, eles têm por um lado trazido
discrédito ao estudo profético pelas loucas e arrogantes predições sobre
o fim do mundo e, por outro lado, reduziram o princípio de interpretação
deles para um sistema, e então o degradaram a um hobby. O
resultado é feliz nesse respeito, que o mal não pode deixar de curar a
si mesmo, e o tempo não pode estar muito distante quando a
"interpretação histórica contínua" na forma e maneira em que seus
campeões tem proposto, será considerada como uma noção extravagante do
passado. Os eventos na primeira metade do presente século produziram na
mente dos cristãos tal impressão em seu favor, que parece provável
ganhar uma aceitação geral. Mas a grande obra do falecido Elliott tem
exposto completamente sua fraqueza. Uma leitura dos primeiros cinco
capítulos de Horae Apocalypticae não pode deixar de impressionar
o leitor com um senso da autenticidade e importância do esquema do
autor, nem ele deixará de apreciar a erudição mostrada e a sobriedade
com a qual ela é usada. Mas quando ele passa do comentário sobre os
cinco primeiros selos para o relato do sexto selo, o leitor deve
experimentar uma inversão de sentimentos que será forte em proporção com
sua compreensão da verdade e a solenidade dos Escritos Sagrados. Que a
pessoa leia os seis últimos versos do capítulo 6 do Apocalipse, uma
passagem cuja terrivel solenidade dificilmente tem outra similar nas
Escrituras, e com que sentimentos ele se voltará para o livro de Elliott
para descobrir que as palavras são nada mais que uma predição da queda
do paganismo no quarto século! As palavras da visão do Apocalipse em relação ao
grande dia da ira divina (Apocalipse 6:17) são a linguagem de Isaías
(13:9-10) com relação ao "dia do Senhor", e novamente da profecia de
Joel (Joel 2:1,30-31), citada pelo apóstolo Pedro no dia de Pentecostes
(Atos 2:16-20). Isso não é tudo. O capítulo 24 de Mateus é um comentário
divino sobre as visões do capítulo 6 do Apocalipse, e cada um dos selos
tem seu correspondente nas predições do Senhor sobre os eventos que
precederão Sua segunda vinda, terminando com a menção dessas mesmas
terríveis convulsões da natureza aqui descritas. Portanto, mesmo se a
mente seja "educada" até ao ponto de aceitar essas interpretação da
visão do sexto selo, essas outras escrituras ainda precisam ser
explicadas. Muitos outros pontos no esquema de Elliott poderiam
ser citados como igualmente falhos. Considere, por exemplo, o elaborado
ensaio sobre o assunto das duas testemunhas, culminando no admirável
clímax da ascensão delas ao céu (Apocalipse 11:12) - para ele isso foi
cumprido quando os protestantes obtiveram "um avanço em dignidade e
poder político" (Horae Ap. 2, 410) Ainda mais absurda e temerária
é sua exposição de Apocalipse 12:5. "Parece claro" (ele diz) "que
qualquer que seja a esperança da mulher em seu trabalho de parto, a
menor consumação foi aquela figurada no nascimento do filho varão e sua
ascensão, isto é, a elevação dos cristãos, primeiro para o
reconhecimento como um corpo político, depois muito rapidamente para a
supremacia do trono no Império Romano" (vol. 3, 12) A referência a
Wilberforce em conexão com Apocalipse 15 é quase grotesca (vol 3. 430).
E finalmente, ele pisa na pedra que leva todo homem que segue esse falso
sistema inevitavelmente a naufragar - a cronologia da profecia, provando
por evidências cumulativas que o ano 1865 daria início ao milênio, ou se
não 1865, então 1877 ou 1882 (vol. 3, 256-266). "Um comentário apocalíptico que explica tudo está se
auto-acusando de erro". Essa frase de Dan Alford (Gr. Test.,
Apoc. 11:2) aplica-se com força total ao livro de Elliott. Mantendo,
como ele faz, que essas visões receberam seu cumprimento absoluto e
final, ele fica forçado a explicar tudo e, como resultado dessas
lucubrações, estraga uma obra que se remodelada por algum estudante
inteligente das profecias seria do mais alto valor. Em dias como estes,
quando temos de contender pelas próprias palavras das Escrituras, não
podemos nos dar ao luxo de rejeitar essas lucubrações como puerilidades
inofensivas. Elas têm dado ímpeto ao ceticismo desta época, e têm
encorajado homens cristãos a tratarem os mais solenes advertências da
ira vindoura como meros trovões de palco. O manto de Elliott parece agora ter caído sobre o
autor de Approaching End of the Age. O tratado de Grattan
Guinness sobre os ciclos lunisolares e epactas será considerado por
muitos a parte mais interessante e valiosa da obra. O estudo disso
confirmou uma impressão que há tempos tem ocupado minha mente, que em
alguma mística interpretação dos períodos proféticos de Daniel, a
cronologia da supremacia dos gentios e a dispensação cristã está
escondida. O professor Birks, entretanto, corretamente comenta que é
muito duvidoso se muita da especialidade em que Guinness encontra essa
parte de sua teoria não é devido a uma seleção parcial inconscientemente
feita de alguns números de epactas a partir de muitos, e que as relações
especiais das epactas para os números 6, 7, 8 13, provavelmente
desapareceriam em um exame detalhado de todos os números de epactas." (Thoughts
on Sacred Prophecy, pg 64) Também poderia ser comentado que com a latitude
obtida contando-se algumas vezes em anos lunares, algumas vezes em anos
lunisolares, e algumas vezes em anos julianos comuns, a lista de
coincidências e paralelismos aparentemente cronológicos poderia ser
aumentada ainda mais. O período do Concílio de Nicéia (325 DC) até a
morte de Gregório XIII (1585) foi de 1.260 anos. O período desde o edito
de Justiniano (533) até a Revolução Francesa foi de 1.260 anos; e
novamente de 606, quando o imperadror Phocas conferiu o título de papa a
Bonifácio III, até a derrubada do poder temporal (1866-1870), o período
foi também de 1.260 anos. Se esses fatos provam alguma coisa, provam,
não que os períodos mencionados são o cumprimento das visões de Daniel,
porque as visões de Daniel referem-se à história de Judá, com a qual
esses eventos não têm nada que ver, mas que a cronologia desses eventos
é marcada por ciclos compostos por múltiplos de setenta. Portanto, eles
corroboram grandemente a presunção que essa é uma característica geral
dos "tempos e épocas" conforme planejados por Deus, e que as visões
serão literalmente cumpridas. Em uma palavra, essas provas são muito
mais do que suficientes para a causa que têm o objetivo de suportar. Já observei a falácia transparente de supor que a
besta de dez chifres e a Babilônia do Apocalipse podem ambas serem
típicos de Roma. Em Approaching End of the Age, essa falácia é
aceita aparentemente sem suspeita ou dúvida, pois o autor nem adota nem
aprimora com base no agradável romance pelo qual Elliott tenta esconder
o absurdo dessa opinião. Como a prostituta recebe sua condenação por intermédio da besta, é
absolutamente certo que elas não são idênticas, e todas as provas que
esses autores usam para estabelecer que a igreja de Roma é Babilônia, é
igualmente conclusiva para provar que o papado não é a besta, o homem do
pecado. O sistema inteiro deles é como um castelo de cartas que cai no
momento em que é testado. Como esse tipo de livro é lido por muitos que
não conhecem a história, pode ser conveniente repetir mais uma vez que a
divisão do território romano em dez reinos ainda não ocorreu. Que ele
foi particionado é uma questão simples da história e do fato que ele
nunca foi dividido em dez é um mero conceito dos autores dessa escola.
[23] A respeito de Daniel 9:24-27, Guinness escreve,
"Desde a chegada da ordem para restaurar e reedificar Jerusalém, até a
vinda do Messias, o príncipe, seriam setenta semanas." (pg 417). Esse é
uma típico exemplo da frouxidão da escola histórica em lidar com as
Escrituras. As palavras da profecia são: "Desde a
saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao
Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas."
[24] Como esse erro é subjacente em toda sua exposição da
profecia que forma o assunto especial destas páginas, é desnecessário
discuti-lo. Ele segue Prideaux em calcular as semanas a partir do sétimo
ano de Artaxerxes. Novamente, em comum com quase todos os comentaristas,
ele confunde os setenta anos da servidão de Judá com os setenta anos das
desolações de Jerusalém. A profecia que ele cita de Jeremias 25 (pg 414)
foi dada no quarto ano de Jeoiaquim, enquanto que a servidão começou em
seu terceiro ano, e é predito um julgamento que caiu dezessete anos mais
tarde. Pode parecer descortês observar pequenas imprecisões, como a de
confundir Belsazar com Nabonido, o último rei de Babilônia. Esse tipo de livro é útil somente por lidar
positivamente com o cumprimento histórico como uma realização principal
e parcial das profecias, e como um pleno e destemido indiciamento da
Igreja de Roma é muito valioso. Mas na negação dogmática de um
cumprimento literal, na cega e obstinada determinação de estabelecer,
independente de qual custo para as Escrituras, que o Apocalipse foi
"cumprido nos eventos da era cristã", tal obra não pode deixar de ser
perigosa e enganosa. A questão real aqui é o caráter e valor da Bíblia.
Se as visões desses autores é justa, a linguagem dos Escritos Sagrados
de passagens como o fim do capítulo 6 do Apocalipse é profundamente
grandiloquente. E se os loucos exageros caracterizam uma porção das
Escrituras, que confiança podemos ter em qualquer parte? Se o grande dia
da ira divina, descrita em termos de solenidade sem paralelos, não são
nada, mas apenas uma breve crise na história de uma campanha agora muito
no passado, as palavras que falam da alegria do benditos e a condenação
dos impenitentes pode afinal ser apenas uma hipérbole, e a fé do cristão
pode ser apenas uma credulidade. "A profecia não é dada para nos habilitar a
profetizar", e ninguém que tenha procurado dignamente o estudo deixará
de ter dúvidas ao se aventurar no tentador campo de prever "as coisas
por vir". Por paciente contemplação podemos discernir claramente os
contornos principais do cenário futuro; mas "até que o dia amanheça",
nossa compreensão das distâncias e dos detalhes será inadequada, se não
inteiramente falsa. Os grandes fatos do futuro, tão claramente revelados
nas Escrituras, foram mencionados rapidamente nas páginas anteriores.
Para o que segue aqui nenhuma deferência é afirmada exceto a que pode
ser conferida à "opinão pia" baseada em investigação séria e honesta. Depois da restauração dos judeus, o aspecto político
mais proeminente do futuro, de acordo com as Escrituras, é a divisão do
Império Romano em dez reinos. A ênfase e definição com que os dez reinos
são especificados, não somente em Daniel, mas também no Apocalipse,
proibe que interpretemos as palavras como se descrevessem meramente uma
divisão de poder, como a que existe desde a dissolvição do Império
Romano, embora isso seja indubitavelemnte um aspecto da profecia.
Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma, uma de cada vez, buscaram obter o
domínio universal. Que possa haver uma comunidade de nações vivendo lado
a lado em paz é um conceito que nada na história do mundo parece
sugerir. A principal pista que as Escrituras permitem sobre o
assunto é a conexão entre esses reinos e o Império Romano. [25]
Mas alguma latitude precisa provavelmente ser permitida com relação às
fronteiras, caso contrário teríamos de escolher entre duas alternativas
igualmente improváveis, isto é, ou que nosso próprio país se afundará na
posição de uma província, sem que até mesmo a Irlanda permaneça sob seu
domínio, [26] ou então que a Inglaterra estará entre os dez
reinos e incluirá o vasto império do qual esta ilha é o coração e o
centro. Podemos ter esperança que por mais que nosso país possa decair
nos dias maus por vir do alto lugar que, com todas suas falhas, ele tem
mantido como campeão da liberdade e da verdade, ele será salvo da
degradação de participar na vil confederação dos últimos dias? Essas considerações sobre as fronteiras aplicam-se
também à Alemanha, embora em um grau menor; e a Rússia está claramente
fora de consideração. O interesse e a importância especiais dessas
conclusões dependem do fato que o anticristo será a princípio um patrono
e apoiador da apostasia religiosa da cristandade, e que a Inglaterra, a
Alemanha e a Rússia são precisamente as três potências de primeira
classe que estão fora do aprisco de Roma. Mas não há dúvida que o Egito, a Turquia e a Grécia
estarão entre os dez reinos; [27] e não é improvável ao extremo
que esses países aceitarão a liderança de um homem que aparecerá como o
campeão e patrono da igreja latina? Uma notável solução para essa
dificuldade provavelmente será encontrada na definitiva predição que
enquanto os dez reinos irão no fim reconhecer sua suzerania, três dos
dez serão trazidos à submissão pela força das armas. (Daniel 7:24) Voltando novamente para o ocidente, os nomes da
França, Áustria, Itália e Espanha apresentam-se, e sete dos reinos são
assim explicados. Pode a lista estar completa? A Bélgica, a Suiça e
Portugal permanecem, e esses também reivindicariam um lugar se
estivéssemos lidando com a Europa de hoje; mas como é do futuro que
estamos tratando, qualquer tentativa de pressionar ainda mais a questão
parece ser fútil. Alguns dizem confiantemente que como os dez reinos são
simbolizados pelos dedos dos pés da imagem de Nabucodonosor - cinco em
cada pé - cinco desses reinos precisarão ser criados no oriente, e cinco
no ocidente. O argumento é plausível, e possivelmente justo, mas sua
força principal reside em esquecer que na visão do profeta, o Levante e
não o Adriático, Jerusalém e não Roma, é o centro do mundo. Para o esquema aqui indicado uma objeção pode
naturalmente ser levantada: É possível que os países mais poderosos do
mundo, a Inglaterra, a Alemanha e a Rússia, não terão parte alguma no
grande drama dos últimos dias? Mas precisa ser lembrado, primeiro, que a
importância relativa das grandes potências poderá ser diferente no tempo
em que esses eventos serão cumpridos, e em segundo lugar, que
dificuldades desse tipo podem depender inteiramente do silêncio das
Escrituras, ou, em outras palavras, na nossa própria ignorância.
Entretanto, sinto-me obrigado a observar que as dúvidas criadas na minha
mente com relação à solidez da interpretação recebida do capítulo 7 de
Daniel apontam para uma resposta mais satisfatória para as dificuldades
em questão. Como a visão do capítulo 2 especifica os quatro
impérios que deveriam sucessivamente governar o mundo, e como o capítulo
7 também enumera quatro "reinos" e identifica expressamente o quarto
deles com o quarto reino da visão anterior, a inferência parece legítima
que a abrangência de ambas as visões é a mesma. Essa conclusão é
aparentemente confirmada por alguns dos detalhes fornecidos dos reinos
tipificados pelo leão, pelo urso e pelo leopardo. Tão forte à primeira
vista realmente é o caso em suporte a essa visão, que não senti
liberdade de me afastar dele nas páginas precedentes. Ao mesmo tempo,
sou forçado a reconhecer que esse caso é menos completo que parece ser,
e que graves dificuldades surgem em conexão com ele; e as seguintes
observações são apresentadas na tentativa de promover a investigação do
assunto: Daniel 2 e 7 estão ambos na porção caldéia do
livro, e estão, portanto, emparelhados e separados do restante.
Portanto, isso fortalece a suposição que seria obtida em qualquer
caso, que a visão posterior não é uma repetição da anterior. A
repetição é muito rara nas Escrituras. A data da visão do capítulo 7 foi o primeiro ano de
Belsazar e, portanto, somente dois ou três anos antes da queda do
Império Babilônio. [28] Como então poderia a ascensão desse
império ser o assunto da profecia? O verso 17 parece definitivo que a
ascensão de todos esses reinos estaria no futuro. Na história de Babilônia não há nada para
corresponder com o curso predito da primeira besta, pois é muito pouco
legítimo supor que a visão foi uma profecia da carreira de
Nabucodonosor, cuja morte tinha ocorrido mais de vinte anos antes da
data da visão. Além disso, a transição do leão com asas de águia para
a condição humana, embora possa representar declínio de poder,
tipifica um notável crescimento moral e intelectual. Não há nada na história da Pérsia que responda à
besta semelhante ao urso com a precisão e plenitude que a profecia
exige. A linguagem da versão inglesa sugere uma referência à Pérsia e
à Média, mas a verdadeira tradução parecer ser: "e fez para si mesmo
um domínio." [29] em vez de "o qual se levantou de um lado." Embora o simbolismo do verso 6 pareça à primeira
vista apontar definitivamente para o Império Grego, parece em um exame
mais atento que no seu aparecimento o leopardo tinha quatro asas e
quatro cabeças. Essa era sua condição inicial e normal, e foi nessa
condição que "foi-lhe dado domínio". Isso certamente é muito diferente
daquilo que Daniel 8:8 descreve, e o que a história do Império de
Alexandre obteve, isto é, a ascensão de um único poder, que em sua
decadência continuou a existir em um estado dividido. Cada um dos três primeiros impérios do capítulo 2
(Babilônia, Pérsia e Grécia) foi por sua vez destruído e absorvido
pelo sucessor, mas os reinos do capítulo 7 todos continuaram juntos no
cenário, embora "o domínio" estava com o quarto (Daniel 7:12). O verso
3 parece implicar que as quatro bestas apareceram juntas e em todos os
eventos não há nada para sugerir uma série de impérios, cada um
destruíndo seu predecessor, embora o simbolismo da visão estava (em
contraste com o do capítulo 2) admiravelmente adaptado para
representar isso. Compare a linguagem da próxima visão. (Daniel 8:3-6) Embora a quarta besta seja inquestionavelmente
Roma, a linguagem dos versos 7 e 23 não deixa dúvidas que é o Império
Romano em sua fase restaurada e futura. Sem endossar as visões de
Maitland, Browne, etc., precisa ser admitido que não há nada na
história da antiga Roma para corresponder com a principal
característica dessa besta, a não ser o simbolismo usado seja
interpretado de forma muito livre. "Devorar, fazer em pedaços e pisar
aos pés o que sobrava", é bem descritivo de outros impérios, mas a
antiga Roma foi precisamente o poder que adicionou governo à
conquista, e em vez de pisar e despedaçar as nações subjugadas,
buscava em vez disso, moldá-las para sua própria civilização e
políticas. Tudo isso - e mais poderia ser acrescentado. [30]
- sugere que toda a visão do capítulo 7 possa ter uma referência futura.
Já vimos que o poder soberano estará com uma confederação de dez nações
que no fim levará a um grande Kaiser, e que várias das atuais potências
de primeira classe estarão fora da confederação. Portanto, é improvável
no mais alto grau, que essa supremacia será obtida a não ser após uma
tremenda luta. Neste momento a política internacional do velho mundo
está centrada na Questão Oriental, que é afinal uma mera questão do
equilíbrio de poder no Mediterrâneo. Agora, Daniel 7:2 cita
expressamente o Mediterrâneo (o "Grande Mar") como a cena do conflito
entre as quatro bestas. Não pode a porção de abertura da visão então se
referir à luta titânica que precisará ocorrer algum dia pela supremacia
no Mediterrâneo, que sem dúvida carregará com ela a soberania do mundo?
O leão pode possivelmente tipificar a Inglaterra, cujo vasto poder naval
pode ser simbolizado pelas asas de águia. O fato de essas asas serem
arrancadas pode representar a perda de sua posição como senhora dos
mares. E se isso for o resultado da luta que acontecerá, estaríamos
dispostos a acreditar que ela após um tempo será caracterizada por
preeminência moral e mental. O animal, lemos, foi "levantado da terra, e
posto de pé como um homem, e foi-lhe dado um coração de homem." Se o leão britânico tem um lugar nesta visão, o urso
moscovita dificilmente pode ser omitido; e pode ser confiantemente
afirmado que o urso da profecia pode representar a Rússia atual tão bem
quanto a Pérsia de Ciro e de Dario. A definição do simbolismo usado com
relação ao leopardo (ou pantera) da visão torna mais difícil referenciar
essa porção da profecia à Alemanha, ou a qualquer outro país-locomotiva
em particular. Seria fácil provar um caso em suporte a essa visão, mas
pode ser suficiente comentar que se a profecia ainda não está cumprida,
seu significado será incontestável quando o tempo chegar. O "Diagrama Cronológico da História de Judá", de
Anderson, é uma visão panorâmica da história e da profecia com relação
ao povo (Judá) e à cidade de Daniel (Jerusalém), isto é,
"Setenta semanas estão determinadas sobre o teu
povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar
fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna,
e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo." (Daniel
9:24) Anderson integra cronologicamente a história secular, a história
judaica, a história de Jerusalé e do templo, a visão de Daniel da
"grande estátua" (2:31) e o ministério dos profetas, com uma visão em
direção à consumação do programa de Deus do julgamento durante a
septuagésima semana (9:27). Simplesmente estudar o diagrama para captar
a compreensão de Anderson é suficiente para provocar maior compreensão
de um assunto para o qual até os "anjos desejam atentar". (1 Pedro 1:12) [1] Encyc. Brit., nona edição, título "Artaxerxes". [2] W. K. Loftus, Chaldea and Susiana,
pg 341. [3] Daniel, pg 160 [4] Neste ponto consultei o autor de The
Five Great Monarchies, um livro para o qual são feitas referências
freqüentes nestas páginas, e estou devedor à cortesia e gentileza do
cônego Rawlinson para a seguinte resposta: "Acho que você pode dizer
seguramente que os cronólogos agora concordam que Xerxes morreu no ano
465 AC. O Cânon de Ptolomeu, Tucídides, Diodono, e Maneto estão em
concordância; a única autoridade contrária foi Ctesias, que é pouco
confiável." [5] Ante-Nicene Christian Library, vol
9, segunda parte, pg 184. [6] Works, vol. 15, pg 108. [7] Tradução de Arnold, pg 443-454. [7-2] Os argumentos de Kruger são revisados
por Clinton em F. H., 2, pg 217. [8] Daniel, pg 171, nota. [9] Veja por exemplo, Mitford, 2, 226;
Thirlwall, 2, 428; Grote, 5, 379; e dos alemães veja Niebuhr, Lect.
Anc. Hist., (Schmitz ed.) 2, 180-181. [10] Daniel, pg 266. [11] Ibidem, pg 99, nota. [12] A Festa do Purim deriva seu nome do fato
que quando Haman planejou a destruição do povo de Mordecai, ele lançou
sortes dia a dia para encontrar "um dia de sorte" para a execução do
esquema. Um ano inteiro - o décimo segundo de Xerxes - foi assim
consumido (Ester 3:7); e o decreto para a matança dos judeus foi feito
no dia 13 de nisã do ano seguinte (Ester 3:12). O decreto em favor deles
foi concedido dois meses mais tarde (Ester 8:9), e o rei é mencionado em
conexão com a execução desse decreto do décimo segundo mês daquele ano
(Ester 9:1,13-17). Portanto, o reinado de Xerxes certamente continuou
até o último mês de seu décimo terceiro ano. O último capítulo de Ester,
além disso, mostra claramente que seu reinado não terminou com os
eventos registrados no livro, mas que essa promoção de Mordecai foi o
início de uma nova era em sua carreira. [13] Christology (tradução de Arnold),
Cap 737; [14] O livro do Dr. Farrar fez muito para
popularizar uma controvérsia que até aqui interessou somente a alguns.
Portanto, pode ser bom observar que sua indiscriminada afirmação sobre a
data da morte de Herodes é duvidosa (veja Clinton, Fast. Rom., 29
DC) e que Josefo nem sempre considera os reinados da forma indicada. [15] Mateus 27:63,64; compare 2 Crônicas
10:5-12, "Veio, pois, Jeroboão, e todo o povo, ao
terceiro dia, a Roboão, como o rei havia ordenado, dizendo: Voltai a mim
ao terceiro dia." [16] Se esse sistema de cálculo parece
estranho ou natural depende da maneira de pensar de cada pessoa. Um
professor de teologia pode ter problemas em defendê-lo na classe, mas o
capelão de uma prisão não teria dificuldade para explicá-lo para sua
congregação! Nosso próprio dia civil começa à meia-noite, e a lei não
leva em conta uma parte de um dia. Portanto em uma sentença de prisão de
três dias, o termo prescrito é igual a setenta e duas horas, mas embora
um prisioneiro raramente chegue à cadeia antes do fim da tarde, a lei
considera que ele completou um dia de encarceramento no momento em que
bate a meia-noite, e o carcereiro pode licitamente libertá-lo no momento
em que a prisão é aberta na segunda manhã seguinte. Na verdade, um
prisioneiro condenado a três dias raramente fica mais que quarenta horas
na prisão. Esse modo de cálculo e de falar era tão familiar para os
judeus quanto é para aqueles que estão familiarizados com as políticas
do sistema prisional. [17] "Quando as pessoas vinham em grandes
números para a festa dos pães ázimos no oitavo dia do mês Xânthicus"
(isto é, nisã) (Josefo, Guerras, 6, 5,3 compare com João 11:55,
12:1) "E estava próxima a páscoa dos judeus, e
muitos daquela região subiram a Jerusalém antes da páscoa para se
purificarem. Foi, pois Jesus seis dias antes da páscoa a Betânia."
[18] Não houve um eclipse lunar visível em
Jerusalém entre aquele do dia 13 de março de 4 AC e o de 9 de janeiro de
1 AC. Muitos autores tomam a última para ser o eclipse de Herodes, e
atibuem sua morte a esse ano. Que de 1 AC foi um eclipse total,
totalmente acontecendo aos quinze minutos depois da meia-noite, enquanto
que 4 AC foi apenas um eclipse parcial, e a maior magnitude não foi até
2:34h da madrugada. (Johnson, Eclipses Past and Future). Mas
embora toda consideração desse caráter aponte para 1 AC como a (data da
morte de Herodes, o peso da evidência geralmente está em favor de 4 AC.
De autores recentes, o ano anterior é adotado pelo Dr. Geikie (Life
of Christ, sexta edição, pg 150) e notavelmente pelo falecido
Bosanquet, que argumenta a questão em seu Messiah the Prince, e
mais concisamente em um trabalho lido diante da Sociedade de Arqueologia
Bíblica, em 6 de junho de 1871, [19] Este é o ano especificado por Dion
Cassius para o banimento do tetraca. Clinton, F. H., 6 DC. [20] Farrar, Life of Christ, App. Exc.
1. [21] Depende do significado da palavra
gegonotos na passagem, se o décimo oitavo ou décimo nono ano está em
vista. A narrativa, como um todo, aponta para o décimo nono ano. Confira
Fast Sacri, de Lewin, pg 56 e 92. [22] Josefo, Ant., 15.11,27. [23] A lista de Elliott dos dez reinos é a
seguinte: Os anglo-saxões, os francos, os alanos, os burgundianos, os
visigodos, os suevos, os vândalos, os ostrogodos, os bávaros e os
lombardos. Se alguém pode ler o capítulo 7 de Daniel e o 13 do
Apocalipse e aceitar essa interpretação, realmente não há terreno comum
sobre o qual discutir a questão. [24] Deploro a idéia que meu objetivo seja
revisar este ou qualquer outro livro. Fosse essa minha intenção, eu
poderia apontar para outros erros similares. Exodus gr. em Pt.
III, cap. 1, o autor enumera cinco pontos de identidade entre a
prostituta e a Igreja de Roma, e desses cinco os dois últimos são pura
besteira, isto é, "O ministro da prostituta faz fogo descer do céu", e
"A prostituta requer que todos recebam a marca." (Compare Apocalipse
13:13, 16) [25] "E quanto aos dez
chifres, daquele mesmo reino se levantarão dez reis." (Daniel
7:24). [26] Toda a Irlanda e parte da Escócia
estiveram fora dos limites territoriais do Império Romano. [27] Em Daniel 11:40, o Egito e a Turquia (ou
a potência que possuirá a Ásia Menor) são expressamente mencionados
pelos títulos proféticos como reinos separados neste mesmo tempo. [28] Veja a Tabela Cronológica no Apêndice 1. [29] Tregelles, Daniel, pg 34. [30] As bestas de Daniel 7 são aquelas citadas
em Apocalipse 13:2, para representar o Anticristo. Embora isso admita a
explicação dada, ela também pode ser usada como um forte argumento em
favor da visão apresentada acima. Você está preparado espiritualmente? Sua família está
preparada? Você está protegendo seus amados da forma adequada? Esta é a
razão deste ministério,
fazê-lo compreender os perigos iminentes e depois ajudá-lo a criar
estratégias para advertir e proteger seus amados. Após estar bem treinado,
você também pode usar seu conhecimento como um modo de abrir a porta de
discussão com uma pessoa que ainda não conheça o plano da salvação. Já
pude fazer isso muitas vezes e vi pessoas receberem Jesus Cristo em seus
corações. Estes tempos difíceis em que vivemos também são um tempo em que
podemos anunciar Jesus Cristo a muitas pessoas. Se você recebeu Jesus Cristo como seu Salvador pessoal,
mas vive uma vida espiritual morna, precisa pedir perdão e renovar seus
compromissos. Ele o perdoará imediatamente e encherá seu coração com a
alegria do espírito de Deus. Em seguida, você precisa iniciar uma vida
diária de comunhão, com oração e estudo da Bíblia. Se você nunca colocou sua confiança em Jesus Cristo
como Salvador, mas entendeu que Ele é real e que o Fim dos Tempos está
próximo, e quer receber o Dom Gratuito da Vida Eterna, pode fazer isso
agora, na privacidade do seu lar. Após confiar em Jesus Cristo como seu
Salvador, você nasce de novo espiritualmente e passa a ter a certeza da
vida eterna em Seu Reino, como se já estivesse com Ele. Se quiser
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homens) que a sua igreja prega, siga então o último conselho bíblico:
Saia dela Povo Meu! Apoc 18:4. ...E, se Eu for e vos preparar lugar, virei outra
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estejais vós também. João 14:3 Esperamos que este ministério seja uma bênção em sua
vida. Nosso propósito é educar e advertir as pessoas, para que vejam que
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